Crônicas de Quem assitiu...

 
 

Leonardo Vinhas

"Ser convidado para fazer uma resenha pode implicar em uma situação desagradável. Às vezes, a pessoa que te chama gosta do seu meio de organizar as palavras, e quer ver isso sendo usado de forma elogiosa a respeito de algo que ela fez. Em outras ocasiões, acontece o contrário: você entrega algo elogioso quando o receptor esperava uma visão mais pesada. É uma saia justa, da qual poucos conseguem se sair bem.
Bom é que, quando é o caso do ACM, dá para ficar tranqüilo. O Tony sabe o vespeiro em que ele cutuca quando me faz um convite desses: resenhar The Resort, segundo longa da Bound Brazil. Digo que ele sabia o que fazia porque, antes de conhecer meu texto, ele conhece o produto dele. E sabe do que eu gosto. Fatality, como diria a molecada.
The Resort assusta até os mais preparados. Assusta porque não tem medo de assumir a paudurescência bondagista que não fica em cordas e nós. Os dois principais elementos do bondage estão aqui: belas mulheres, e uma boa justificativa para toda a ação.
Bem, sejamos justos em ambos os casos: uma das garotas não me agradou muito, mas não vou ser indelicado de nomear qual – ainda mais que as outras seis são espetaculares. E se faltou alguma coisa para a história ser 100% convincente, foi ter um "bad guy" realmente “bad” (Saulo Quaresma parece muito gentil e receoso para meter a panca de um Isaac W.). Mas essas observações são meticulosidades de resenhista mala, acostumado a ter uma visão mais crítica que a necessária – porque a verdade é que nada disso afeta a paudurescência supracitada.
Ou eu estaria sendo equivocado em insistir nessa coisa fálica de "pau"? Provavelmente sim, porque – eis aqui a maior evolução deste filme sobre seu antecessor, Conspiracy – The Resort é também para mulheres. Ok, querido punheteiro obcecado e solitário, desculpe alimentar sua frustração, mas o fato é que existem, sim, muitas mulheres nada caricatas que se interessam, e muito, por bondage. E especialmente para elas Tony parece ter feito algumas cenas. Não é uma típica “pegação-de-mulher-pra-homem-ver”, e sim algo muito mais excitante e... versátil, na falta de palavra melhor.
Aliás, essa versatilidade está em todo o filme: cenas de soft bodnage com quatro (!) mulheres amarradas e amordaçadas, cena sadomasô quase hardcore, cena bem hardcore de sexo lésbico e até um momento final surpreendemente violento.
Com tantas palavras fortes, não dá para fazer de conta que o lado quase love bondage do primeiro filme tirou umas férias. Mas o fato de o filme assumir esse lado, e tratá-lo com aquele clima de pornozão setentista pós-Garganta Profunda (quando eles tentavam ser arte, tá ligado? Se não tá, assista Boogie Nights e aprenda), só deixa a coisa mais saborosa, com zero mau gosto.
Se o Tony variar o tom de cada filme (tranqüilo em um, tenso no outro, e assim por diante), aí é que eu vou ficar mais pirado esperando pelo próximo. Por não saber o que ele vai aprontar, mas ter certeza que, seja o quer for, vai ser excitante pacas. Para ser visto sozinho, a dois, a três ou a quatro. Ou de quatro. Afinal, este The Resort excita de tudo quanto é jeito."